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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Hi End Show 2014

Visita ao Hi End Show de 2014


Este último fim de semana visitei o Hi End show 2014 novamente no hotel Maksoud Plaza, e posto aqui algumas fotos dos equipamentos que achei mais interessantes.


Acima um amplificador de potência da Dan Dagostino, com um lindo medidor de potência analógico na frente e dissipadores de calor de cobre nas laterais com furos para melhor ventilação.



Um toca fitas de rolo que tocava músicas nas audições de alguns equipamentos.


O pequeno amplificador valvulado da CAV (China) com dock station e dois canais estéreo de 2W.


Acima a gigantesca caixa acústica da Diasound (produzida no Brasil em Goiás), maior do que eu.


O amplificador estéreo valvulado integrado da Audionote aberto e com dois grandes transformadores de saída à mostra. Circuito muito bem construído.


Outro amplificador valvulado da Audionote, com grandes válvulas triodo na saída.


Um dos belos amplificadores valvulados da Triode (Japão) à venda na mostra.


E o pequeno amplificador valvulado Ruby da Triode, com válvulas EL84 (6BQ5) nas saídas. Uma jóia, como o próprio nome indica.


sábado, 31 de maio de 2014

Amplificador Compactron

Amplificador valvulado com a 6AS11 Compactron - 1W de potência em single ended


Resolvi alterar o amplificador com a 6AS11 pra usar um transformador de força e usar uma fonte de alta tensão convencional de forma a aumentar a potência de saída do amplificador, assim como usar uma malha de realimentação para melhorar a estabilidade e aumentar a resposta em frequência.
Também fiz uma nova montagem, agora usando um chassis de alumínio e os componentes soldados certinhos em mini plaquinhas com ilhoses.
Segue o novo esquema:























Nesse esquema existem as tensões medidas no circuito e assim podemos também ter uma ideia das correntes em cada válvula. A polarização do pentodo ficou em 5,9V, o que nos deixa com uma corrente de catodo de 27mA dos quais uns 22mA de corrente de placa e o restante pela grade de screen, em modo ultra linear.
Com esse circuito consegui obter 8Vpp a 1kHz sem muita distorção sobre uma carga de 8 ohms resistiva. Isso dá uma potência de 1W.  Esse valor cai bastante quando o sinal for abaixo dos 200Hz, o transformador de saída é pequeno (3/4 polegada) e não consegue uma potência significativa sem distorção. Na faixa superior a resposta é bem razoável, chegando a 10kHz.

Cabe ressaltar que ainda deixei de usar um triodo que sobrou na 6AS11 (ela tem dois triodo e um pentodo), o que permitiria fazer mais um estágio de ganho e talvez colocar um controle de tom. Pra um mini amplificador de guitarra, com apenas uma válvula seria possível montar um amplificador quase completo.

Vejam fotos do circuito montado:

















E abaixo alguns oscilogramas, pra quem quiser ver o que acontece com a saturação progressiva da válvula e a distorção resultante (diferente do clipping de um amplificador transistorizado):






sábado, 14 de setembro de 2013

Hi End Show 2013

HI END SHOW 2013


Como costumo fazer nos últimos anos, dei uma passada pra ver e ouvir bons equipamentos de áudio e vídeo no HI END SHOW da revista Clube do Áudio e Vídeo, que iniciou no último dia 12 e termina hoje dia 14 de setembro (mais cedo do que nos anos anteriores). Repetindo a fórmula do ano passado, a mostra se deu no hotel Maksoud, que embora luxuoso, sofre com corredores apertados e escuros, além disso algumas salas (quartos) onde eram apresentados os equipamentos eram pequenos.
Sobre os expositores, senti a falta de equipamentos da KEF, B&W, Beyerdynamics, Sennheiser e da Audiopax (em decorrência do falecimento do Eduardo Lima no ano passado, nunca mais teremos a degustação dos Maggiore e da longa palestra dele). Em compensação, uma grata surpresa comparada aos anos passados: muitas apresentações com amplificadores valvulados, em especial dos McIntosh (MC2301), Manley (Stingray), Avance (A50), Pathos, e  outros que não estavam tocando, como Triode, Audio Research e um ampli que usava umas válvulas 6C33 (triodos, com chifrinho na parte de cima).  Como o ambiente na maioria das salas era meio escuro, as fotos de celular não ficam boas, mas tirei algumas.




Como novidades pude conhecer as TVs de ultra definição da Samsung, e em especial um equipamento (Universal Devialet Air Streamer) da marca francesa Devialet (não deu foto, muito escuro), num elegante gabinete bem slim (podia ficar na horizontal ou na vertical como um quadro),  que integrava entradas USB, ethernet, analógicas (inclusive phono, AES EBU, e saída de potência de 110W (x2) a 500W (x2) que eu não entendi onde caberia uma fonte de alimentação neles.
De caixas, muitas Sonus Faber espalhadas, Avance, Monitor Audio 

Ao contrário do ano passado, os dez reais da entrada foram bem gastos. De brinde, como sempre, uma revista CAV do ano passado, com um CD de música clássica.  E quem sabe, com sorte ganhar no sorteio do representante da McIntosh, o livro dos amplificadores McIntosh (que custa R$ 500).

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Válvula Compactron

USANDO VÁLVULAS COMPACTRON PARA AMPLIFICADORES


Há algum tempo eu consegui algumas válvulas do tipo Compactron, criadas pela GE. Elas foram as últimas desenvolvidas antes dos transistores dominarem os circuitos eletrônicos. Eu ganhei umas 12AL11 do Ricardo (Kem) e juntos compramos mais algumas 6AS11 e 6AF11 de um vendedor nos EUA. Essas válvulas Compactron tem 12 pinos e precisam de um soquete diferente dos normais usados nas válvulas mais comuns (com soquete noval e octal). Os soquetes foram adquiridos junto à Altana Tubes do Eduardo, loja especializada em válvulas e componentes acessórios.

Vou falar um pouco dessas Compactron. A 12AL11 é constituída por 2 pentodos dentro de um invólucro só e pode ser usada para fazer um amplificador de áudio de baixa potência (pela datasheet, até 4,2W de saída) e tem um projeto do engenheiro italiano Ciotto usando uma compactron 6AL11 que se diferencia somente pela tensão dos filamentos (6,3V contra 12,6V da minha).

Já as 6AS11 e 6AF11 são semelhantes e cada uma tem dois triodos e um pentodo de potência. Resolvi brincar com elas primeiro porque tenho delas em maior número. Para isso primeiro precisava construir uma infraestrutura mínima pra poder fazer uns experimentos. Então fiz uma placa de circuito impresso para soldar o soquete de 12 pinos. Vejam como ficou a plaquinha para o soquete e os bornes KRE para fazer as conexões. O desenho na placa foi traçado a mão mesmo (mais régua e gabarito de furos), com caneta de circuito impresso, apenas marcando os pontos das ilhas com punção.

A plaquinha tem 5x5 cm e o soquete coube junto com 4 bornes KRE de 3 posições, totalizando assim o acesso aos 12 pinos das válvulas.

Como não tinha idéia de um circuito completo do amplificador, não desenhei um layout para o circuito inteiro e resolvi montá-lo em placa de matriz de contatos (protoboard). Como não dá pra trabalhar com essas matrizes com uma tensão muito alta, resolvi adotar uma tensão razoavelmente baixa, menor do que 200Vdc e assim poder usar outro circuito que havia montado um tempo atrás: um comversor DC-DC elevador de tensão:
Esse conversor está sendo testado junto com mais alguns amigos do Handmades (Plautz, Eduardo e Kem) e inicialmente ele é voltado pra ser usado em unidade pré amplificadoras com válvulas, onde se precisa de alta tensão com baixa corrente. Futuramente o Plautz vai publicar um documento completo sobre esse conversor no site do Handmades. Bom, por hora informo que esse conversor consegue elevar uma tensão de 12Vdc de uma fonte comum ou chaveada para 190V @ 25mA de corrente fornecida (potência de quase 5W). O componente principal é um MC34063 que é bem conhecido, barato e facilmente encontrável. A plaquinha tem 5x5 cm e eu fiz com pinos para poder ser usada na protoboard. A tensão de saída é programável através de um resistor externo à placa do conversor.
A curiosidade nossa era saber se esse conversor poderia alimentar um pequeno amplificador de potência e se ele aguentaria a carga.  Pra não deixar o conversor no limite eu programei o conversor para 180Vdc e um pouco mais de 25mA de capacidade de corrente.  Isso não deveria causar problemas para uma montagem em matriz de contatos. Bastaria ter uma fonte de 12V para o conversor e outra de 6V para os filamentos.

Era hora de pensar no circuito do amplificador. O principal componente de um amplificador de potência valvulado é o transformador de saída. Como a potência não poderia ser exagerada e queria usar somente uma unidade compactron, a topologia de saída deveria ser single ended. Eu tinha enrolado um pequeno transformador de saída push-pull de 10k de impedância de primário e 8 ohms de secundário. Resolvi aproveitar esse mesmo e usar o center tap para ligar na grade de screen do pentodo e fazer um circuito ultra linear a 50%.  Só tive que desmontar o núcleo, que estava com as chapas E e I intercaladas e recolocá-las de volta, só que agrupadas de um lado somente as Es e de outro as Is.
Pegando um gráfico de curvas do pentodo da 6AS11, tracei a reta de carga para uma carga de 10k e tensão de alimentação de 180Vdc.
Com base nos cálculos, acho que poderia obter até 1 W de saída, considerando as perdas.
Para fazer o pentodo trabalhar nessa potência, o resistor de catodo (auto-polarização) deveria ser aproximadamente 180 ohms. Apesar de que as curvas para ultra linear são diferentes das curvas para pentodos, o gráfico ajuda a ter uma idéia dos valores a serem usados. Além disso, depois eu aumentei a tensão da grade de screen, de forma que a potência obtida deveria ser um pouco maior do que a calculada.

Para os triodos, resolvi usar apenas um, para não saturar o sinal e criar uma grande distorção do som. Como não tinha os gráficos das curvas dos triodos, foi meio que na base das informações de aplicações da datasheet e trocando os componentes pra obter um bom resultado. Usei a unidade de triodo 1 que tem maior mu. No fim o circuito montado ficou assim (modo gambiarra máximo):
A montagem com o conversor em pé na protoboard, um potenciômetro de volume com sinal vindo do Diskman, o transformadorzinho de saída ao fundo e a placa principal em primeiro plano. (obs. essa é uma versão com os componentes mais organizados na protoboard - a do vídeo que vem mais abaixo tava mais bagunçada)
A 6AS11 acesa e funcionando.

Liguei as fontes e medi as tensões de alimentação. Deu um pouco mais de 190V. Medi a tensão no resistor de catodo de 180 ohms e deu 4V e alguma coisa, o que significa que tem um consumo de 23mA (corrente de catodo = corrente de placa + corrente de screen) e assim o conversor estava aguentando o amplificadorzinho (no triodo a corrente é muito pouca).  Ligado com uma caixinha de PC da Soundblaster passiva de 8 ohms coloquei o diskman pra tocar. Vejam o vídeo, até que o som não ficou ruim.



Esse vídeo foi gravado antes de eu aumentar a tensão na grade de screen. Depois de aumentá-la eu consegui um volume mais alto. 
O esquema elétrico ficou assim:









domingo, 25 de agosto de 2013

Curso sobre triodos

AULA SOBRE VÁLVULA TERMOIÔNICA

Agora vou voltar um pouco no tempo e explicar como funciona e o princípio básico de operação de uma válvula eletrônica muito usada antigamente antes da existência dos transistores e da eletrônica com semicondutores. A eletrônica de fato começou com a invenção da válvula termoiônica que é um dispositivo capaz de amplificar sinais elétricos.

Há muitos anos eu tive essa aula de laboratório de eletrônica e recebi uma apostila que tenho até hoje, na época ainda editada com o uso de desenhos feitos a mão e texto datilografado. Resolvi digitar todo o texto e desenhei as figuras no Paint, de forma a deixar tudo de forma digital, ao qual transcrevo a seguir.

TRIODO: Características e uso como amplificador
Objetivo: estudar as características do Triodo, polarização e o seu funcionamento como amplificador.
Introdução teórica: triodo é uma válvula a vácuo com três eletrodos: catodo (emissor de elétrons), placa (receptor de elétrons) e grade (controladora do fluxo de elétrons que se dirigem à placa).

Existem dois tipos de aquecimento do catodo: a) direto e b) indireto, como mostra a figura abaixo:

Onde:
eb = tensão de placa
ib = corrente de placa
egk = tensão de grade
Localização dos terminais e características da válvula 12AU7 duplo triodo:

O funcionamento dessa válvula se dá aplicando uma diferença de potencial entre o catodo (-) e a placa (+)  e uma diferença de potencial entre catodo e a grade, formando assim um campo elétrico no interior da válvula.
Aquecendo o catodo, essa libertará elétrons que serão atraídos pela placa. Dependendo do potencial da grade, irá existir maior ou menor fluxo de elétrons, se a grade estiver negativa, deixará passar alguns elétrons, repelindo outros, e quanto mais negativa a grade, menor o fluxo de elétrons, até que a corrente chegue a zero, denominando assim o ponto de corte da válvula.
Essa válvula é aplicada em amplificadores, osciladores, misturadores, etc.
CURVA CARACTERÍSTICA DA PLACA:  Existem três tipos de curvas características, podendo cada uma ser obtida através das outras, porque para levantarmos essas curvas, utilizamos apenas das medidas ib (corrente de placa), eb (tensão de placa) e egk (tensão da grade).
1)      Curvas característica de placa: para o levantamento dessas curvas, obtém-se ib em função de eb, mantendo-se egk constante:


ib = f(eb)  com egk constante (vários valores)
A partir dessas curvas obtemos o parâmetro rp (resistência de placa) que é a relação entre a variação de eb e a variação de ib:
rp = ∆eb/∆ib   sendo egk constante
Fazendo essa variação em torno de um ponto (Q), variando-se esse ponto também variamos o valor de rp.
Exemplo:
rp1 = ∆eb/∆ib  =  (eb2 – eb1)/(ib2 – ib1)   com egk = -2V
rp2 = (eb3 – eb4)/(ib3 – ib4)   com egk = -10V
rp1 ≠ rp2

1)      CURVAS CARACTERÍSTICAS DE TRANSFERÊNCIA: para o levantamento dessa curva, obtém-se ib em função de egk, mantendo-se eb constante:
ib = f(egk)   com eb constante

A partir dessa curva obtemos o parâmetro gm (transcondutância ou condutância mútua), é a relação entre a variação de ib e a variação de egk:
gm = ∆ib/∆egk   com eb constante
1)      CURVA CARACTERÍSTICA DE CORRENTE CONSTANTE: para o  levantamento dessas curvas, obtém-se eb em função de egk, mantendo-se a corrente de placa constante:
eb = f(egk)   com ib constante
A partir dessa curva obtemos o parâmetro μ (fator de amplificação) que determina a eficácia da tensão de placa em relação à tensão de grade, no controle da corrente:
µ = - ∆eb/∆egk    com ib constante
Quanto menor a variação de eb e egk, mais preciso será µ.

TRIODO COMO AMPLIFICADOR – LIMITAÇÕES E POLARIZAÇÃO
Quanto às limitações de operação de um triodo como amplificador, podemos citar o fato de que a tensão de grade não pode ser positiva, ou seja, egk deve ser negativa. Caso contrário, o par grade-catodo funcionaria como um diodo, e se não colocarmos um resistor na entrada da grade, para limitar a corrente, a válvula poderá ser danificada, pois a corrente será grande. No ponto onde a tensão de grade for nula, a corrente de placa será máxima, é chamada ponto de saturação.
Outra limitação existente é o fato de que não podemos ter tensão de grade muito negativa, o que poderia acarretar corrente de placa nula, pois todos os elétrons seriam impedidos de atingir a placa pela grade, deste modo a tensão de placa permanece igual a Ebb. No ponto onde a corrente de placa é nula, a tensão de placa é máxima e igual a Ebb, é chamado de ponto de corte.
A amplificação com triodo também pode ser vista através das curvas características, para isto, basta analisarmos a equação:
eb = Ebb – Rload * ib  (veja circuito)
Como Ebb e Rload são constantes, esta é a equação de uma reta. Esta reta é chamada de reta de carga estática, e para localizá-la na curva característica de placa, temos dois pontos particulares, dados por:
eb = Ebb – Rload * ib
Para eb = 0, ib = Ebb/Rload
Para ib = 0, eb = Ebb

Circuito amplificador utilizando triodo:
ee = sinal de entrada
Aplicando-se a lei de Kirchoff ao circuito de grade, e ao circuito de placa,  obtemos:
egk = ee – Ecc (a queda de tensão em R1 é desprezível)
eb = Ebb – Rload * ib
Supondo que ee é do tipo ee(t) = Ee sen ωt, obtemos:
Notamos que a tensão de placa eb é formada por uma componente contínua Eb0  e uma componente variável, que chamaremos sinal de placa, ou tensão de saída (es), e pode ser vista sobre a resistência de carga Rload. Observa-se também que o sinal de placa corresponde ao sinal de grade ee, amplificado e com fase invertida.
Para que haja amplificação é necessário polarizar o sinal a ser amplificado. A fonte Ecc é chamada fonte de polarização de grade  e sua função é nunca permitir que a tensão de grade se torne positiva, logo o valor de Ecc, em módulo, deve ser superior ao valor máximo de ee, de modo que egk será sempre negativa. Caso contrário a válvula entraria em estado de saturação, deixando de amplificar.
O resistor Rg é chamado de resistência de escape de grade, e tem por função descarregar as cargas eventualmente acumuladas na grade, e ainda, não sobrecarregar o estágio anterior, por isso seu valor é alto.
A função do resistor R1 é limitar a corrente de grade, pois caso a tensão de grade se torne positiva, a corrente seria alta e danificaria a grade.
Com o circuito abaixo,  é possível polarizar um triodo utilizando-se uma única fonte:
Podemos observar  que neste circuito, a corrente de placa (ib) circula através do resistor Rk, de modo a haver uma queda de tensão sobre ele. Sendo a corrente de grade normalmente nula, ou então desprezível, a queda de tensão em Rg1 é muito pequena. Se analisarmos a malha formada por Rk, Rg1 e pelo par grade-catodo, observamos que a tensão egk deve ser:
egk = -Rk * ib
Observamos então que a grade fica polarizada negativamente em relação ao catodo, conseguindo assim uma auto-polarização.
Mas se usarmos somente o resistor Rk, quando variarmos o sinal de entrada, estaremos variando a corrente de placa (ib), o que acarretar uma variação em egk, e isso iria mudar o ponto de trabalho, modificando assim o valor da amplificação do circuito. Como isso é indesejável, utilizaremos um capacitor Ck chamado de capacitor de desacoplamento, em paralelo com Rk, de modo a conseguir uma tensão constante em Rk. Para isso, Ck deve ser dimensionado de tal forma que mesmo para as variações mais lentas de corrente de placa produzidas por  sinais de entrada de baixa frequência, sua reatância (Xck) seja bem menor do que o valor de Rk.
Na prática, normalmente se faz Xck = 1/10 de Rk, como C = 1/(ωXc)  temos que C = 10 / (2 x π x Fb x Rk), onde Fb é a frequência mais baixa do sinal de entrada utilizado. De modo que Ck seja praticamente um curto circuito para os sinais alternados e um circuito aberto para sinais contínuos, que passarem através de Rk, mantendo Erk constante, pois se Ebb é constante, ib terá uma componente contínua ibo e de valor constante, de forma a manter egk constante.
O capacitor C1 (capacitor de desacoplamento) é utilizado para bloquear a componente contínua do sinal de entrada, que alteraria a polarização da grade e consequentemente  o ponto de trabalho do amplificador.
O capacitor C2 e o resistor Rg2 formam um filtro, cuja finalidade é bloquear a componente contínua que apareceria no sinal de saída devido a fonte Ebb. Como nós desejamos que o sinal de saída apresente somente a componente variável, correspondente ao sinal de entrada amplificado, é necessário o uso desse filtro.
A fim de verificar como se comporta o ganho do amplificador em função da frequência, vamos analisar o circuito equivalente (diferencial) do amplificador:

O capacitor Cpk representa a capacitância inter eletródica existente entre a placa e catodo, cujo efeito será particularmente sensível em altas frequências.
No caso de frequências baixas, as reatãncias das capacitâncias em paralelo (Cpk e Ck) é tão elevada que elas podem ser desprezadas frente a Rk e R1, respectivamente.  Porém as capacitâncias de C1 e C2 terão grande influência no ganho do circuito, pois suas reatâncias serão elevadas, de modo que C1 atenuará o sinal de entrada antes de chegar à grade e C2 atenuará o sinal da placa antes da saída. Como o ganho é dado pela relação es/ee, podemos concluir que para baixas frequências o ganho será baixo.
Circuito equivalente para baixas frequências:
Para médias frequências, todos os capacitores, excluindo Cpk, podem ser considerados como curto circuitos. Cpk ainda será considerado circuito aberto, pois o valor de sua capacitância é extremamente baixa.
Circuito equivalente para frequências médias:
Conseguimos assim um circuito equivalente utilizando somente elementos resistivos. Partindo deste circuito podemos calcular a amplificação que é definida como:
A = Es/Ee  onde: 
Es = valor eficaz da tensão de saída e
Ee = valor eficaz da tensão de entrada
Por outro lado podemos verificar que Espp/Eepp também é igual à amplificação.
De fato Espp/Eepp =  (2 * raiz (2) * Es) / (2 * raiz (2) * Ee) = A
No caso do circuito acima a amplificação será dada pela expressão:
Av = (- μ * R//)/ (R// + rp)    onde   R// = Rload // Rg2
Em altas frequências, as capacitâncias C1 e C2 podem ser desprezadas, pois sua reatância é baixa (considera-se curto). A capacitância Cpk é constituída pela capacitância inter eletródica e dos demais componentes do circuito. Apresentará uma reatância relativamente baixa de modo a diminuir a impedância de saída do circuito, causando um decréscimo no ganho do amplificador.
            Circuito equivalente para altas frequências:



Normalmente a variação do ganho em função da frequência é muito grande, então, se quisermos construir um gráfico para analisarmos esta variação é conveniente usarmos uma escala logarítmica. Para isso foi definido Gv – ganho em tensão como sendo:
Gv = 20 log Av     ou seja    Gv =  20 log (es/ee)   (dB)
Obs: o decibel (dB) provém da unidade Bel  (B), valendo 1/10
Como a variação de frequência também é muito grande, também é conveniente usar uma escala logarítmica para a frequência.
Abaixo temos o esboço do gráfico da variação do ganho em função da frequência, chamado de diagrama de Bode.

O ponto A determina a frequência de corte inferior e o ponto B a superior. Estas frequências são correspondentes ao ponto onde o ganho se reduz a 70,7% do ganho máximo, dizemos então que o ganho caiu em 3dB.
PARTE EXPERIMENTAL
obs: os itens a até d deverão ser realizados com a tensão de entrada nula (em curto).
a)      montar o circuito abaixo:
a)      medir Erko e egko com osciloscópio em DC, e comparar estas medidas
Erko = 5,5V         egko = -4V
b)      com os valores de Ebb (250V) , Rload (22k) e egk, traçar a reta de carga, mostrando o ponto de trabalho Q e achar suas coordenadas (Eb0 e Ib0).
a)      medir Ib0 e Eb0 e compara com os resultados obtidos graficamente.
Eb0 = 110V     (gráfico = 130V)
Ib0 = 110V/22k = 5mA    (gráfico = 5,2mA)
b)      usando  o gerador de áudio, fazer a tensão de entrada ee(t) = 1 sen ωt  (V); variar a frequência desde 12Hz a 1MHz, preenchendo a tabela seguinte.
c)       determine a frequência de corte inferior e a superior.
d)      ajustar  Ebb para 150V e substituir C1 por um resistor de 100k. Verificar e justificar o que acontece, tendo-se o sinal de entrada no nível máximo.
Frequência (Hz)
Ee (Vpp)
Es (Vpp)
Av
Gv    (dB)
12
2
16
8
18,06
20
2
22
11
20,83
50
2
23
11,5
21,2
100
2
24
12
21,58
200
2
24
12
21,58
500
2
25
12,5
21,94
1000
2
25
12,5
21,94
2000
2
26
13
22,28
5000
2
26
13
22,28
10000
2
26
13
22,28
20000
2
26
13
22,28
50000
2
27
13,5
22,6
100000
2
25
12,5
21,94
200000
2
23
11,5
22,2
500000
2
18
9
19,1
1000000
2
8
4
12,04